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A dita dura de roer

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A Dita Dura de Roer



Viajar é bom. Viajar é um dos grandes prazeres desta vida e quando se lhe toma o gosto, valha-me Santo Ambrósio!... Já tinha viajado até ao Brasil duas vezes. Ambas com dois singelos apelos publicitários, a concurso. A primeira, ao estado de Alagoas, com uma frase apelativa à Foster’s, uma cerveja australiana que me enviava para um resort na Tailândia com pensão completa, não fosse eu de urgência, à agência de viagens, mexer os cordelinhos e mudar o azimute. A segunda, às fazendas de café, nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Uma semana do outro mundo, em regime de pensão completa, com direito a oferecer uma embalagem de café Nicola ao Cristo Redentor. Só não embrulhei os grãos do café em sonetos do Bocage - de acordo com o apelo - por causa das sobras e também por ser o cabo dos trabalhos. Com a Milaneza - no tempo em que a marca fazia uma incursão pelo ciclismo - uma rima com o grande trepador Rui Lavarinhas, levou-me a Amsterdão. Um fim de semana com ponte, também ele inesquecível. Pela mão da Becel, um frenesim de SPA’s, esperava-me no Hotel do Caramulo, num cenário idílico, sarapintado por um grande nevão. Nunca na vida tinha sido tão massajado! Enfim, Madeira, Martinhal na ponta de Sagres – o paraíso na terra, Pousadas de Portugal, Vida é Bela, Smart Box, Coolgift e muitas Odisseias. Para quem tem este vício da escrita, depois vê-se recompensado, no meu caso, não tanto pelas viagens, mas mais por esta agradável sensação bacoca de ver o nosso nome escrito associado à nossa terra, em cartazes, nos supermercados ou em letras minúsculas, em revistas que ninguém lê!



Há 1 semana atrás, viajei até ao norte da Península da Coreia e fiquei com uma vontade desmesurada de lá voltar e de conhecer melhor o país! De facto, esta última viagem marcou-me, como nenhuma outra o havia feito. Um verdadeiro périplo à República Democrática Popular da Coreia, sem nunca me ter levantado dos bancos do Metropolitano de Lisboa, com um cicerone de luxo, um vizinho e um galveense dos 4 costados, como ele faz questão de não esconder: José Luís Peixoto. Dentro do Segredo, é uma narrativa deliciosa de uma sociedade surreal, e fico-me por aqui, para não desvendar mais segredos. Mas há um a que não resisto. Conheci José Luís Peixoto - sem nunca o ter visto, sem nunca ter falado com ele – em outros enredos, como Abraço, Livro, Hoje Não, Cemitério de Pianos, etc., era ele vegetariano. Surpresa das surpresas, há dias, algures, em Kaesong, a segunda maior cidade da Coreia do Norte, no sul, junto ao paralelo 38, na fronteira com a Coreia do Sul, fui dar com ele, à mesa do jantar, com pauzinhos de metal, a comer carne de cão! Da ementa constava, sopa de cão e cão frito. A sopa tinha a particularidade, segundo o comensal, de ser grossa, com tiras de banha e ossos. Não o conheço, nunca o vi, nunca falei com ele. Longe vão os tempos de Alfama, onde meses a fio, todos os Domingos, ao fim da manhã, uma mulher silenciosa nem feia nem bonita, lhe batia à porta e sabe-se lá mais o quê!... (Terão que ler Abraço…) Como diria o Sr. Pisa, dos Foros do Mocho, com a graça e a expressão que o caracterizam: Ahh Cão!...



E de maneira que é assim!...

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